Resenha O ano em que te conheci





O ano em que te conheci
Cecelia Ahern
Novo Conceito, 2016
 


Sinopse: Bem-vindos ao mundo imperfeito de Jasmine e Matt.
Vizinhos, eles não têm o menor interesse em tornarem-se amigos e nunca haviam se falado antes. Estavam sempre ocupados demais com suas carreiras para manter qualquer tipo de contato.
Jasmine, mesmo sem nunca tê-lo encontrado, tem motivos para não suportar Matt.
Ambos estão em uma licença forçada do trabalho e sofrendo com seus dramas familiares. Eles precisam de ajuda.
Na véspera de Ano-Novo, os olhares de Jasmine e Matt se encontram de forma inusitada pela primeira vez. Eles têm muito tempo livre e precisam rever seus conceitos para poder seguir em frente.
Conforme as estações do ano passam, uma amizade improvável lentamente começa a florescer.

Jasmine é uma viciada em trabalho, como tal ela acabou deixando de lado relações pessoais: amigos, família e até mesmo seus vizinhos são deixados de lado em sua louca rotina. Mas tudo mudou, Jasmine foi demitida e esta de “castigo” por um ano graças a uma cláusula em seu contrato.

“Minha vida começou quando eu tinha cinco anos. Saber que eu ia morrer instilou algo em mim que ainda carrego comigo até hoje: a consciência de que, apesar de o tempo ser infinito, o meu tempo era finito, o meu tempo estava acabando. Eu percebi que minha hora e a de outra pessoa não eram a mesma coisa. Não podemos passar essa hora da mesma maneira, nem podemos pensar sobre ela do mesmo jeito. [...] Se quiser fazer alguma coisa, você tem de fazer isso agora. Se quiser dizer alguma coisa, então precisa dizer agora. E principalmente, tem de fazer você mesmo. A vida é sua, é você quem vai morre, é você quem vai perder.” p. 13

Apesar de toda a sua antiga correria pessoal, Jasmine sempre teve tempo para detestar o vizinho Matt, que nos é apresentado realmente como um cara detestável: sem moral para com a família, respeito com o próximo nem com seus ouvintes no programa de rádio mais famoso da Irlanda. 

Agora Matt e Jasmine tem algo em comum: o desemprego e a nova oportunidade de fazerem amizade, afinal com as mudanças na estação ao longo do ano e nos acasos da vida algo tão improvável começa a ganhar forma.

Quando li a sinopse eu fiquei muito curiosa em descobrir o que motivaria essa antipatia tão forte de Jasmine por Matt e esse é um motivo que o leitor só descobrirá lendo a trama. Claro que o motivo é relevante para a trama e para Jasmine, mas a medida em que ela se permite conhecer Matt ela consegue perceber que ele não é essa figura tão diabólica como ela pinta.

Assim como ela fui contagiada com esse preconceito por Matt e por quem eu pensei que ele fosse, mas devo confessar que suas atitudes mudaram não só a forma de Jasmine enxergá-lo, mas como eu também passei a vê-lo.

O livro é narrado por Jasmine, como se ela tivesse escrito uma gigante carta à Matt descrevendo esse longo ano de crescimento, amadurecimento, pertencimento e regado de possibilidades, mas ao mesmo tempo parece que ela esta falando com seu leitor: eu, você, ele ou ela, alguém que se disponha a conhecer a sua história e aprender um pouco com ela.

O que me conquistou na trama não foi a história de Matt e Jasmine, para mim ambos foram bem medianos, mas o ponto alto do livro com certeza é o chaqualhão de Cecelia que já é uma autora conhecida por tratar da vida. Atualmente, todos estão tão voltados para si mesmo, com suas couraças protegendo emoções e sensações, vivendo de nariz torcido, de sonhos interrompidos, de pré-concepções sobre lugares, comidas, pessoas tratando essas situações como imutáveis e, assim, não se permitindo, não aprendendo, não errando para acertar depois, as reflexões que a autora traz são verdadeiras luzes no fim do túnel, mostrando uma nova forma de ver a vida e sobre como encará-la são motivadoras, dinâmicas e cheias de boas vibrações.

"O mundo é fascinado pro transformações instantâneas, pessoas totalmente mudadas ou pelo passe de mágica disfarçado por uma mesura. Mais rápido que um estalar de dedos, aqui e agora, não pisque ou você vai perder. Minha mudança não foi instantânea, e muitas vezes o ritmo lento da transformação pode ser doloroso, solitário e confuso, mas, mesmo sem que a gente perceba, acontece. Olhamos para trás e pensamos: “Quem era aquela pessoa?”, enquanto durante o processo, pensamos: “Quem estou virando?”. E qual foi o ponto exato em que cruzamos aquela linha, quando uma versão de nós se tornou a próxima? Mas é a graça dessa lentidão que nos lembramos da jornada, que preservamos aquela sensação de quem éramos antes, e sabemos para onde estamos indo, e por quê. Quando o destino é totalmente desconhecido, nós valorizamos a travessia.” p. 330

Como eu disse, o que me conquistou no livro não foi a história na qual a autora trabalhou, mas sim as belas reflexões que ela deixou e mesmo não tendo sido uma leitura tão impactante, que não me fez rir ou chorar, tornou-se memorável exatamente por mostrar que sempre temos uma possibilidade, basta estar aberto à novas perspectivas.

"A maior parte das pessoas na vida não precisa fazer nada ativamente para nos transformar, ela só precisa ser." p. 330


11 comentários:

  1. Gostei da resenha Thaila. Li opiniões bem controversas a respeito deste livro, mas só de saber que ele nos leva a reflexão já é um bom motivo para querer lê-lo. Beijo!

    www.newsnessa.com

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  2. Oi, Thaila! Li dois livros da autora, gostei muito de um e nem tanto do outro. Mas tenho vontade de ler esse. Gosto da escrita dela, realmente ela tem essa característica que você citou, de falar da vida.

    Beijos, Entre Aspas

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  3. Era eu lendo a resenha e pensando preciso ler também. A forma que você escreveu a resenha chamou minha atenção, e esse trechos que você escolheu eu amei.
    Beijos.

    P.S. Estou seguindo o blog!

    Refúgio da Ju

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  4. Oi. Eu gosto muito da Cecelia e adoro a realidade que ela nos traz em seus livros. Quero muito ler esse livro e conhecer mais da personalidade dos personagens. A capa é maravilhosa, não é?
    Beijo, Visite o Leitora Encantada

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  5. Já li três livros da autora ( o presente, o livro do amanha e p.s eu te amo) amei todos. Já faz tempo, então estou louca para ler outros livro dela, amo a escrita e a simplicidade das histórias que cria. Beijos ♥️

    Blog Literário 2

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  6. A autora gosta de deixar a gente pensando na vida... Adoro isso ♥

    Adorei a resenha também!!!

    Bjksss

    Lelê

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  7. Oie! Tudo bem? Não sei porque, mas não curto os livros dessa autora, então infelizmente consequentemente não me interessei por esse livro, mas espero algum dia me interessar por algum livro dela!
    Bjss, comenta neste post por favor, ajudaria muito:
    http://resenhasteen.blogspot.com.br/2016/09/geometry-dash-raiva-e-musica-em-formato.html

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  8. Oi Thaila! Todos os livros da autora trazem um mensagem para o leitor e pelo visto este não foi diferente. Eu gosto de histórias com mensagens para refletir e espero tirar algo positivo desta leitura.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  9. Oi Thaila! Nunca li nada da autora, mas tenho curiosidade. Achei interessante a sua observação sobre o chaqualhão que a autora dá, parece que a obra tem uma linda mensagem!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  10. Oi,

    já li e gostei de alguns livros da autora e fiquei curiosa por esse. Senti uma vibe meio Orgulho e Preconceito com isso dos dois se odiaram profundamente, e fiquei feliz em saber que a leitura vale a pena as vezes não pela história, mas pelas reflexões que provoca. Ótima resenha!

    Beijos!
    Participe do sorteio e concorra ao livro O Menino Que Desenhava Monstros
    http://www.mademoisellelovesbooks.com/

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  11. Olá Thaila,

    Esse livro está na minha lista de desejados, gosto da escrita da autora e essa é a primeira resenha que leio dele, já está na minha lista de desejados...bjs.



    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

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