Resenha Doce Perdão




Doce Perdão
Lori Nelson Spielman
Verus, 2015
Sinopse: Hannah Farr é uma personalidade de New Orleans. Apresentadora de TV, seu programa diário é adorado por milhares de fãs, e há dois anos ela namora o prefeito da cidade, Michael Payne. Mas sua vida, que parece tão certa, está prestes a ser abalada por duas pequenas pedras... As Pedras do Perdão viraram mania no país inteiro. O conceito é simples: envie duas pedras para alguém que você ofendeu ou maltratou. Se a pessoa lhe devolver uma delas, significa que você foi perdoado. Inofensivas no início, as Pedras do Perdão vão forçar Hannah a mergulhar de volta ao passado - o mesmo que ela cuidadosamente enterrou -, e todas as certezas de sua vida virão abaixo. Agora ela vai precisar ser forte para consertar os erros que cometeu, ou arriscar perder qualquer vislumbre de uma vida autêntica para sempre. Após o sucesso mundial de A lista de Brett, Lori Nelson Spielman retorna com este romance terno e esperto sobre nossas fraquezas tão humanas e a coragem necessária para perdoá-las - assim como para pedir perdão.

“Perdoar é libertar um prisioneiro e descobrir que o prisioneiro era você” Lewis B. Smedes, apud Spielman

Quem olha a imagem de Hannah encontrará uma mulher forte e singular, dona de um programa de sucesso, a queridinha da América, em breve uma mulher casada com o prefeito e ser feliz para sempre. Quem realmente a enxerga encontra uma mulher a beira do fracasso profissional, tendo seu tapete puxado a todo instante, metida em um relacionamento frustrante com uma enteada pentelha e muitos problemas pessoais. E ainda querem que ela pense em perdão?

As chamadas pedra do perdão viraram febre, basicamente consiste em mandar duas pedras para alguém que você magoou juntamente com um pedido de desculpas, uma das pedras deve voltar para você, caso seja perdoado e a outra deve ser mandada pela pessoa que perdoa a alguém que ela magoou, uma espécie de corrente. Hannah acabou fazendo parte dessa corrente graças a pedra do perdão enviada por Fiona Knowles, que é a idealizadora desse projeto.

No passado Fiona e Hannah tiveram rusgas próprias de adolescentes, mas é a prova de que o dano causado pode ser pequeno ou grande, mas o que vale é a intenção de rever sua vida, suas falhas e males e tentar repará-los.

Agora a própria Hannah se vê no dilema de seguir em frente com a corrente e aconselhada por sua melhor amiga ela sabe que tem um duplo desafio: perdoar a si mesma e a sua própria mãe.

“Agatha Christie disse uma vez que, dentro de cada um de nós, existe um alçapão [...] Embaixo desse alçapão, estão nossos segredos mais sombrios. Nós o mantemos firmemente trancado, tentado, de forma desesperada, enganar  nós mesmos, fingindo que esses segredos não existem. Os felizardos podem até acreditar nisso.” p.30

No passado, Hannah foi uma adolescente frustrada pela separação dos pais, com ódio e mágoa profunda pela mãe e pelo padrasto, no fundo ela sempre se sentiu preterida e sua raiva alimentada pelo opressor e manipulado pai. Agora, vinte anos depois, esta na hora de Hannah encarar o passado e o presente de frente, aceitar suas escolhas e assumir riscos.

Apesar da carga dramática envolvida a trama pode ser considerada um chic lit também, afinal retrata a vida de uma mulher moderna com todos os seus infortúnios de uma forma sarcástica e permeada de idas e vindas. O sarcasmo ao qual me refiro esta explicito no relacionamento de Hannah com Michael, que esta fadado ao fracasso e só ela não percebe, o prefeito esta preocupado com seus eleitores e compromissos e não em compromisso afetivo. 

A história começa cheia de segredos e mistérios, o que a faz ser atrativa. Lori mexe com as emoções ao tratar de um assunto tão importante como perdão. Afinal, todos temos erros que gostaríamos em algum momento de reparar, nem sempre pedir perdão a meu ver conserta tudo, mas de certa forma propicia a redenção.

Perdoar não é fácil, não é simplesmente dizer “eu perdôo”, é assumir essa absolvição como parte de sua vida e esquecer todo e qualquer mal, essa é a mensagem final de Lori e creio que ela trabalhou essa perspectiva do começo ao fim de seu livro.

"Um pedido de desculpas não apaga nossos erros. É mais como passar uma borracha sobre eles. Sempre sabemos que o erro está ali, logo em baixo daquela aspereza no papel. E, se olharmos direito, ainda o vemos. Mas com o tempo, nossos olhos começam a ignorar o erro, e só enxergamos o texto novo, mais claro desta vez, e escrito com mais reflexão." p. 150

No fim Hannah percebe que mais do que perdoar ela tem que pedir perdão também, afinal a relação de mãe e filha para sempre ficou abalada, por mais que tentem sempre haverá 20 anos separando-as. Conhecer a história dessas duas mulheres é emocionante.

Como toda a boa história o caminho de Hannah tem momentos doces e outros bem amargos, surpresas, encontros e desencontros que só fazem da trama algo único.

Eu comecei a ler a trama ansiosa e receosa ao mesmo tempo, pois falar de perdão não é fácil para mim, assumo que não sou uma alma tão benevolente, mas que gostaria de ser. Assumo ser rancorosa e um pouco mimada, sei que assim como Hannah cometi erros e no meio do meu caminho magoei algumas pessoas e fui magoada por elas, mas tem algumas situações que parecem tão certas para mim que é difícil admitir que estou errada. Pois perdoar é uma mão dupla: é aceitar as desculpas e esquecer qualquer possibilidade de revide.

Em alguns momentos senti que Lori deu um nó na minha cabeça, me fazendo repensar questões que eu tinha como certas, me fazendo refletir, diferentemente de “A lista de Brett”, nesse romance eu não chorei, mas de igual forma de emocionei por sua forma de contar histórias. Ficou marcada a mim a história de Hannah.

9 comentários:

  1. Oi Thaila!
    Que fofura essa capa!!!
    Eu também acho perdão um negócio complicado, mas gostaria de ler o livro.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  2. Olá! Eu já li também A lista de Brett, mas fiquei com receio de ler esse livro por falar de perdão. Sou meio "assim" com temas mais delicados e ás vezes a narrativa não me atrai. Mas que sabe eu não dê uma chance ao livro? Beijo.
    Leitora Encantada

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  3. Olá, tudo bem ?
    Não conhecia este livro, mas achei interessante. Perdão é sempre um assunto delicado, acho complicado, mas o livro de certa forma me chamou a atenção, talvez leia em uma oportunidade.
    Beijos
    www.estilogisele.com.br

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  4. Olá! Já tinha visto esse livro, mas nunca li a sinopse nem nada. Achei a história interessante, mas não sei se me prenderia.

    Beijinhos,

    Beatriz - Blog Escrevendo Mundos

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  5. Olá, tudo bem? Esse livro é bem falado, mas eu não li ele ainda. Lendo sua resenha, fiquei curiosa para ler o livro e saber mais da estória.

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  6. Oi Thaila. Tudo bem?
    Perdão é um tema complicado. Também não tenho facilidade de perdoar, mas estou tentando aprender e a cada dia consigo sentir que estou melhorando. Eu gostei muito de A Lista de Brett. Vou colocar esse na lista.
    Bjus
    Lia Christo
    www.doceseltras.com.br

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  7. Oie Thaila =)

    Quero muito o ler os livros dessa autora, pois suas histórias me parecem ser tão lindas e tocantes <3
    Tenho os livros dela no Kobo e não vejo a hora de ler.

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary

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  8. Que fofura. Achei bem emocionante essa história.
    Gostei!!!

    Vai pra lista!!

    Bjksssss

    Lelê

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  9. Ultimamente não tô para ler livros de dramas assim, fico muito triste.
    Apesar da carga dramártica dele, achei a capa linda.
    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

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