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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Resenha: Meu encontro com a vida


 

 “A vida tem um jeito todo especial de conseguir o que quer quando realmente sabe o que quer.”

Você já imaginou como seria a sua vida se ela fosse uma pessoa? Alta, baixa? Homem, mulher? Qual a aparência física dessa Vida?

É com essa situação que Lucy Silchester está lidando e sua Vida é um homenzinho bem ranzinza, de aparência e modos um tanto quanto desagradáveis e que não tem receio de pesar o clima jogando verdades pelos ares, mas afinal como a Vida dela pode ser assim? Qual a razão quando a própria Lucy tem uma vida perfeita, morando em um apartamento maravilhoso, tendo bons amigos e um ótimo relacionamento familiar, o emprego dos sonhos e sendo a femme fatale que terminou um relacionamento e deixou um homem arrasado... ou quase isso, ou melhor, nada disso é verdade.

Quando Lucy precisa embarcar em uma jornada de descobrimento, de viver verdadeiramente a sua Vida, amadurecendo e encarando as verdades duras, mas necessárias, os problemas do dia a dia e evoluindo capitulo a capitulo, nós (como leitores) também somos convidados a fazer uma reflexão sobre a vida que vivemos e como vivemos.

“Meu encontro com a vida” não é daqueles livros pra ler numa “sentada só”, de varar a madrugada lendo, isso porque ele merece ser saboreado palavra a palavra, capitulo a capitulo, refletindo sobre questões da nossa própria construção como ser humano. Viver é um desafio constante e por muitas vezes nós acabamos sendo um pouco como a Lucy: tentando tampar o sol com a peneira, florear em algumas situações e às vezes, mesmo que criando justificativas, omitir fatos e opiniões.

Gostei muito de terminar esse livro no final de 2025, pois faz com que a reflexão acompanhe o processo de olhar para o ano que termina com a expectativa do ano que se iniciará e como viver os próximos 365 dias. Em muitos momentos da leitura me peguei respirando fundo e percebendo que eu sou um pouco Lucy em muitas circunstâncias do dia a dia, mesmo sem querer aceitar e acredito que todos que lerem esse livro se identificarão um pouco com ela, justamente por essa semelhança na caracterização dessa personagem real.

A personificação da Vida como alguém alheio, outra pessoa também é uma jogada interessante na construção tanto da história quanto da reflexão que a autora propõe para seu leitor e para a própria Lucy, num primeiro momento é um impacto muito grande imaginar a vida como algo ou alguém alheio, mas depois é intrigante ver como realmente seria uma vida se fosse algo a parte de nós. Todos nós queremos uma vida bonita, mas quanto realmente edificamos essa vida bonita? Essa é a reflexão que Cecelia nos deixa, que faz com que busquemos melhorar, pois nós temos uma vida, uma que não nos abandona, então não podemos abandoná-la também!