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segunda-feira, 30 de julho de 2018

Resenha Minha Vida (Não Tão) Perfeita



Minha Vida (Não Tão) Perfeita
Sophie Kinsella
Record, 2017

Sinopse: Dramas, confusões e uma boa dose de amor são os ingredientes do novo romance de Sophie Kinsella. Uma divertida crítica aos julgamentos errados que uma boa foto no Instagram pode gerar. Cat Brenner tem uma vida perfeita mora num flat em Londres, tem um emprego glamoroso e um perfil supercool no Instagram. Ah, ok... Não é bem assim... Seu flat tem um quarto minúsculo sem espaço nem para guarda-roupa , seu trabalho numa agência de publicidade é burocrático e chato, e a vida que compartilha no Instagram não reflete exatamente a realidade. E seu nome verdadeiro nem é Cat, é Katie. Mas um dia seus sonhos se tornarão realidade. Bom, é nisso que ela acredita até que, de repente, sua vida não tão perfeita desmorona. Demeter, sua chefe bem-sucedida, a demite. Tudo o que Katie sempre sonhou vai por água abaixo, e ela resolve dar um tempo na casa da família, em Somerset. Em sua cidadezinha natal, ela decide ajudar o pai e a madrasta com a nova empreitada do casal: os dois planejam transformar a fazenda da família em um glamping, uma espécie de camping de luxo e estão muito empolgados com o novo negócio, mas não sabem muito bem por onde começar. E não é justamente lá que o destino coloca Katie e sua ex-chefe cara a cara de novo? Demeter e a família vão passar as férias no glamping, e Katie tem a chance de, enfim, colocar aquela megera no seu devido lugar. Mas será que ela deve mesmo se vingar da pessoa que arruinou sua vida? Ou apenas tentar recuperar seu emprego? Demeter - a executiva que tem tudo a seus pés - possui mesmo uma vida tão perfeita, ou quem sabe, as duas têm mais em comum do que imaginam? Por que, pensando bem, o que há de errado em não ter uma vida (não tão) perfeita assim?


“É engraçado como a vida parece uma gangorra: algumas coisas sobem enquanto outras descem." p.155


Quem vê as fotos de Cat no Instagram pensa que ela é uma quase celebridade com a vida perfeita e um emprego dos sonhos, mas calma que tem muita ilusão por trás de cada foto. Todos queremos uma vida perfeita, então porque não ostentar um pouquinho? Mesmo que ela não seja realmente a nossa vida, acho que esse é o lema de Cat. Aquele café badalado, aquele sorriso brilhante, muito filtro na imagem e a foto perfeita esta na rede, mas quem pode imaginar que por trás de tudo isso tem uma Cat exausta de morar num apartamento minúsculo, de ter um trabalho sem perspectiva de crescimento e uma chefe maluca que faz o favor de tornar sua vida no emprego ainda mais simplória.

Mas quando Cat é despedida e volta para casa dos pais no interior onde ela é Katie e tem que ajudá-los a tocar um negócio hoteleiro ela parece ter encontrado tempo e lugar para lamber suas feridas, mas quando ela menos espera a própria Demeter com a família aparece para umas relaxantes férias, e se depender de Katie serão férias inesquecíveis!

Ao melhor estilo de um chick lit, Minha vida não tão perfeita me fez rir as inconstâncias das nossas certezas e da vida em si, com um enredo bem estruturado a trama gera aquela reflexão intrigante de quem realmente somos e do que queremos aparentar para o mundo. Esse encontro da Katie com a Cat, essas duas personalidades na mesma mulher é bem interessante de acompanhar, principalmente pelo crescimento que a personagem vai ganhando.


“Acho que finalmente descobri como me sentir bem em relação à vida. Sempre que vir alguém muito feliz, lembre-se: essa pessoa também tem seus momentos não tão perfeitos. Claro que tem. E, sempre que você vir a sua própria situação não tão perfeita, se sentir desesperado e pensar: 'minha vida é isso?', lembre-se: não é. Todo mundo tem um lado brilhante, ainda que seja difícil de encontrar, às vezes." p. 387


É uma trama divertida acima de tudo, eu ri muito com as confusões que decorrem na trama, tudo com o padrão Sophie Kinsella de divertir, uma trama que com certeza esta na lista de leituras tops do ano.


terça-feira, 1 de maio de 2018

Resenha A Força Que Nos Atrai



A Força Que Nos Atrai
Elementos 4/4
Brittainy C. Cherry
Record, 2017
Sinopse: Graham e Lucy não foram feitos um para o outro. Mas é impossível resistir à atração que os une.
Graham Russel é um escritor atormentado, com o coração fechado para o mundo. Casado com Jane, um relacionamento sem amor, ele vê sua vida virar de cabeça para baixo quando Talon, sua filha, nasce prematura e corre risco de morte. Abandonado pela esposa, ele agora precisa abrir seu frio coração para o desafio de ser pai solteiro. A única pessoa que se oferece para ajudá-lo é Lucy, a irmã quase desconhecida de Jane. Apaixonada pela vida, falante e intensa, ela é o completo oposto de Graham. Os cuidados com a bebê acabam aproximando os dois, e Lucy aos poucos consegue derreter o gelo no coração de Graham. Juntos, eles descobrirão o amor, mas os fantasmas do passado podem pôr tudo a perder.


“Porque era assim que os corações funcionavam: quando achávamos que eles já estavam completamente preenchidos, de alguma maneira, eles encontravam espaço para mais um pouquinho de amor” p. 227


Mais uma linda história! É uma definição clichê, mas ao mesmo tempo tão verdadeira. A história de Graham e Lucy é uma sucessão de descobertas e redescobertas. Lucy é vida e Graham assim como em seus livros é morte e desilusão, o escrito famoso esconde dentro de si uma mágoa por um passado tortuoso que o impede de realmente se aproximar das pessoas. Já Lucy, é a eterna otimista, aquela que sempre tem o melhor a oferecer ao outro. Duas pessoas tão diferentes, mas com um elo de amor único: Talon.

Como a sinopse deixa bem claro, Talon é a filha que Jane, irmã de Lucy, abandonou logo após o nascimento. Jane é uma pessoa difícil de amar, mesmo sendo uma personagem ficcional suas atitudes são tão egoísta e impensada que fica difícil compreendê-la e aceitá-la enquanto pessoa criada e para mim o abandono de Talon foi um golpe decisivo em relação aos meus sentimentos por ela.

Já Lucy é aquela que eu almejo ser um dia, cheia de vida, de compreensão e de ternura, uma alma boa... uma verdadeira mocinha de conto de fadas.se eu falo da bela, vou falar da fera, Graham pé um homem cebola, conforme fui lendo, fui descascando esse homem, compreendendo-o, amando-o e torcendo por um final feliz para ele.

Sem querer dar maiores explicações ao enredo, afinal vocês precisam de algumas surpresas ao longo da leitura, fica claro que Cherryl sabe lidar com sentimentos, sabe fazer com que seu leitor sinta aquilo que seus personagens sentem, isso é mágico nos livros dela e não faltou nesse. O título não podia ser mais sugestivo, mais intenso ou verdadeiro para a história. É uma daquelas histórias que você lê, internaliza, vive e revive por seus sentimentos.

Se posso dizer, é um dos livros mais lindos que já li, por vezes me peguei chorando e depois sorrindo, é uma leitura que emociona, que transplanta sentimentos. Não dá para não ler e quem lê transforma em um queridinho!

quinta-feira, 22 de março de 2018

Resenha O Silêncio das Águas



O Silêncio das Águas
Elementos # 3
Brittainy C. Cherry
Record, 2017

Sinopse: Da autora de O Ar Que Ele Respira e A Chama Dentro de Nós, uma história de amor que precisará vencer todos os obstáculos.
Quando a pequena Maggie May presencia uma cena terrível à margem de um rio, sua vida muda por completo. A menina alegre que vive saltitando de um lado para o outro e tem uma paixonite por Brooks Griffin, o melhor amigo de seu irmão, sofre um trauma tão grande que acaba perdendo a voz. Sem saber como lidar com o problema, sua família se vê em uma posição difícil e tenta procurar ajuda, mas nenhum tratamento vai adiante. Ao longo dos anos, Maggie aprende sozinha a conviver com os ataques de pânico e, sem conseguir sair de casa, encontra refúgio nos livros. A única pessoa capaz de compreendê-la é Brooks, que permanece sempre ao seu lado. A cumplicidade na infância se transforma em amizade na adolescência, até que um dia eles não conseguem mais negar o amor que sentem um pelo outro. Mas será que o forte sentimento que os une poderá resistir aos fantasmas do passado e a um acontecimento inesperado, que os forçará a navegar por caminhos diferentes?


“Nem tudo que está em pedaços precisa ser consertado. Às vezes só precisa ser amado. Seria uma pena se só as pessoas inteiras fossem merecedoras de amor.” p. 179


Ai dona Cherry o que fazer contigo? Com esses seus livros viciantes? A história começa no passado. Um passado no qual a pequena Maggie, com seis anos, esta eufórica, com o novo casamento do pai ela ganha não só uma mãe, mas dois irmãos com quem compartilhar a vida, era uma virada e tanto! Os anos se passam e tudo corre bem na vida da menina e para completar ainda tinha o melhor amigo de seu novo irmão, Brooks, que, além disso, é seu noivo imaginário.

Brooks e Maggie aos dez anos são terríveis, ambos se provocam e vivem um pé de guerra clássico de amor e ódio. Mas, uma tarde muda tudo. Maggie é espectadora e vitima de um grave crime. Um homem consegue roubar sua segurança, voz e esperanças. A tagarela Maggie se torna a reclusa, calada e de certa forma apagada. Essa é a primeira parte do livro.

Numa segunda parte, conhecemos mais a fundo a relação do pânico e da vida de Maggie e como os demais membros da família acabam vendo isso. São anos e anos de reclusão e mudez, mas uma coisa que não muda ao longo dos anos é a relação de Brooks e Maggie que vai evoluindo para uma cumplicidade feliz e que obviamente é um romance inocente e de encher os olhos de lágrimas e de sorrisos bobos.


“Eu me apaixonei por centenas de homens de centenas de livros. Achava que sabia como era o amor com base nas palavras impressas nas páginas que li. Amor era união, força e algo pelo que valia a pena viver” p. 160


Cherry sabe explorar as fraquezas de uma personagem, desnuda-o como ninguém e ao mesmo tempo vai reconstruindo-o por meio da força motriz do universo: AMOR. É visível o florescer de Maggie com essas singelas quatro letras: Amor trouxe cor e segurança aos seus dias, trouxe aceitação de suas dores e feridas, trouxe leveza, trouxe mais beleza. Amor a impulsionou a seguir sem desistir. Me peguei rindo em vários momentos, torcendo por Maggie, para que ela fosse simplesmente feliz.


“Você me promete o mesmo tipo de amor que li nos livros?”
“Não, Maggie May. Prometo muito mais que isso” p. 161


Paralelamente, acompanhamos também o desenvolvimento de Brooks enquanto personagem, mais que um menino trapalhão na infância ou um rostinho bonito na adolescência, o Brooks que conhecemos pelas páginas é o cara legal, amoroso e confidente. Aquele que quer fazer bem e se sentir bem. Aquele cara que tem paixão por música, paixão no que faz e pelo que faz. Eu creio que tenha me apaixonado de cara, pelo Brooks trapalhão, briguento, que detestava os beijos molhados de Maggie e fui me re-apaixonando por ele a cada novo momento da trama.

Também tem os demais personagens secundários, tais como os irmãos de Maggie que foram encarando as dificuldades de interação da irmã cada qual a sua forma. E a relação dos pais, que meu Deus, deu até nos nervos.


“Como era possível sentir saudade de uma pessoa que estava a apenas alguns passo?” p. 194


Falando em nervos, quando eu acho que esta tudo se encaminhando vem Cherry e joga uma terceira parte ainda mais dramática para colocar em prova o amor de Brooks e Maggie e eu fiquei simplesmente de queixo caído, ah e não se esqueça que tem um suspense ai no ar, afinal quem é o causador do trauma de Maggie? Será que ele ainda esta a solta? Será preso? Encontrado?
Com uma escrita fluida e cativante, “O silêncio das águas” marca por ser uma história sobre reconstrução e amor, dois dos maiores motores da vida humana. Estamos sempre nos reconstruindo e sempre amando.


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

resenha A Chama Dentro de Nós




A Chama Dentro de Nós
Elementos # 2
Brittainy C. Cherry
Record, 2017
Sinopse: Logan Silverstone e Alyssa Walters não têm nada em comum. Ele passa os dias contando centavos para pagar o aluguel, sofrendo com a rejeição dos pais e tentando encontrar um rumo para sua vida caótica. Ela, por outro lado, parece ter um futuro brilhante pela frente. Um dia, porém, um simples gesto dá origem a uma improvável amizade. Ao longo dos anos, o sentimento que os une se transforma em algo até então desconhecido para os dois. Alyssa e Logan não conseguem resistir à atração que sempre sentiram um pelo outro e finalmente descobrem o amor. Mas uma tragédia promete separá-los para sempre. Ou pelo menos é isso que eles pensam. Seriam as reviravoltas do destino e as feridas do coração capazes de apagar para sempre a chama que há dentro deles.


"Quando encontramos alguém capaz de nos fazer rir quando nosso coração está triste, não podemos deixá-lo escapar. Esse é o tipo de pessoa que muda nossa vida para melhor." P. 91


Eu estava muito ansiosa para ler esse livro, não só por conta do enredo eletrizante como também pela autora que se tornou uma querida depois que “O ar que ele respira”, já se tornou característico pensar nas tramas da autora e ter em mente enredos bem elaborados, frases impactantes e boas histórias de amor. Em “A chama dentro de nós” não é diferente.


“Descobri que um lar não é um lugar especifico, mas a sensação que temos quando estamos com as pessoas que são importantes para nós, um sentimento de paz que apaga os incêndios da alma.” p. 36


A trama é dividida em duas partes, a primeira narra a trajetória de amizade e amor de Logan e Alyssa no auge dos 17/ 18 anos. Duas pessoas tão diferentes que encontraram numa sólida amizade e depois num amor avassalador um pouco de alento para suas vidas tão dispares e ao mesmo tempo tão semelhantes.

Alyssa vive uma vida milimetricamente controlada por uma mãe abastada financeiramente, mas emocionalmente pobre e pela constante ausência de um pai omisso. Jpá Logan vive no mundo da pobreza, drogas e instabilidade, com uma mãe dependente e um pai violento. São dois mundos que apesar de diferentes acabam se conversando. Além de serem a tábua de salvação um do outro, ambos contam com seus irmãos: Erika e Kellan que são duas fontes constantes de apoio.

Uma série de maus entendidos, drogas e uma relação instável colocou tudo a perder e Logan e Alyssa se separaram.

Cinco anos depois Logan esta de volta, não só a pequena cidade claustrofóbica ou as lembranças dolorosas, mas também esta de volta na vida de Alyssa por conta do casamento de Kellan e Erika. O que não promete ser fácil, uma vez que a atração entre eles continua tão forte quanto anteriormente.


“Você ainda é o fogo que me mantém aquecido quando a vida se torna fria. Você é a voz que afasta a escuridão. É por você que meu coração bate. Você ainda é o ar que eu respiro. Você ainda é o meu maior vicio.” p. 297


Eu confesso que tive meus altos e baixos com Logan, não é fácil aceitar ou compreendê-lo as vezes, mas em igual forma sua coragem para recomeçar é apaixonante, da mesma forma Alyssa também é um símbolo de força e coragem para enfrentar todas as situações. Um show a parte Kellan e Erika, um casal que combinou e cativou, paralelamente a história principal a autora não deixou de trabalhar as emoções e sentimentos desses personagens , fazendo com que eles também tivessem uma história para encantar.

 Esse é um livro que mexe com as emoções. A autora trabalha bem com as emoções a serem despertadas nessa história, você sente a angustia, a dor e o amor desses personagens, você sente o peito apreensivo em uma cena de ação e sente o coração cheio numa cena de amor, esse é um daqueles livros que é capaz de colocar brilho no olhar de um leitor. Mais uma vez e inegavelmente Brittainy se fixa como uma das minhas autoras preferidas por ter tramas ágeis, fluidas, cativantes, românticas e reflexivas.