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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

A filha de Auschwitz

 

Eu gosto muito de ler livros com enredo da 2ª guerra, acho que é uma necessidade pessoal de buscar entender o que aconteceu, como aconteceu, a motivação e as consequências ao longo dos anos de 1939-1945 e quanto mais relatos eu leio, mais me admiro com a força e resiliência de algumas pessoas que ousaram ser resistência em meio a um sistema tão opressor.

A história de “A filha de Auschwitz” é um desses livros que mexe com a gente. Nessa trama acompanhamos a vida e luta de Eva Adami para enfrentar a dureza de um campo de concentração por amor e lealdade à seu marido, sua família e amigos, apesar de Eva não ser uma personagem real, ela é inspirada na história de uma sobrevivente, Vera Bein, e esse é um relato fidedigno do que aconteceu nesse período nebuloso da história.

É assustador acompanhar a rotina de Eva que muda do dia para a noite com a invasão alemã. Ela, uma jovem estudante, com o futuro pela frente, se apaixonando por um homem bom e com sonhos a se realizar, se vê de repente como um ser de segunda classe sem direitos e tendo que enfrentar fome, dor, frio e preservar a esperança que tantos caçoam em meio ao caos para sobreviver e manter sua sanidade.

Em meio a perdas, lágrimas e medo Eva vai se fortalecendo com a ajuda de outras tantas mulheres incríveis que a ajudam na jornada em busca de Michael, enquanto paralelamente acompanhamos as histórias de algumas delas, entendo suas próprias dores e sacrifícios.

E por mais que se tenha conhecimento de casos de mulheres grávidas nos campos de concentração, a titulo inclusive das historias sobre Mengele e seus experimentos, chega ser um paradoxo existir vida em meio a tanta destruição, um fio de esperança condutor no meio da escuridão e acompanhar essa trajetória de sobrevivência e luta é emocionante.

Há menos de 100 anos o mundo parava e vivia uma guerra que só pode ser descrita como horripilante. Milhões de pessoas foram mortas por um regime ditatorial e cruel, que relegava seres humanos a objetos descartáveis e que quanto mais sofrimento houvesse na partida desses seres humanos, melhor. Parece doido pensar que isso realmente existiu, mas foi e é real.

Quando pensamos num mundo distópico é impossível não imaginar um cenário de guerra como foi o período de Hitler em toda a Europa, quantas pessoas perderam seus bens, rotinas e vidas por conta da obsessão doentia de um homem que conseguiu corromper outros tantos a segui-lo de maneira absurdamente fria e calculista. Vemos um pouco desse tormento descrito em apenas 249 páginas, mas que causam um impacto mais que dobrado.

Eu recomendo esse livro não por ser “bonitinho”, mas sim pela sua importância critica e necessária para entendermos um pouco do mundo que já vivemos e que jamais devemos voltar a viver.


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