O
post de hoje não tem nada com o universo literário, mas trata-se também de uma
de minhas paixões: o artesanato! Quero contar um pouquinho da minha história
com a linha e a agulha, o pincele e a tinta.
Comecei
desde pequena, sempre via minha mãe fazendo crochê e arriscava uma correntinha
aqui, outra acolá, mas como ela era canhota não dava pra aprender muito olhando
ela fazer. Já mais moça, com uns 13-14 anos aprendo de olho a fazer ponto cruz,
a inspetora da minha escola fazia e enquanto eu esperava o ônibus morria de
vontade de fazer. Só que pode não parecer, mas eu sou tímida! Muito tímida e
naquela época era pior, então eu morria de vergonha de pedir pra ela me
ensinar, assim sendo fui mais pela tentativa e erro. Conclusão: meu avesso era
horrível, eu usava linha e agulha errada. Era um verdadeiro fuá e eu achando
que tava arrasando, acontece que na época eu não tinha computador, então nada
de tutorial e nem de facilidades.
Quando
meus pais se mudaram de fazenda, indo trabalhar para outros patrões eu tive uma
virada: a senhora, patroa da minha mãe, era uma bordadeira de mão cheia e me
mostrou meus erros, me ensinou e graças à ela eu aprendi tudo o que sei hoje
relacionado a ponto cruz, ponto russo, bordado livre e com uma técnica
melhorada, materiais bons e disposição eu consegui encomendas e
consequentemente $$$, entendam: não era muito, mas era a minha independência,
com o dinheiro eu conseguia comprar CDs, DVDs da minha banda favorita,
economizava e dava pra comprar uma blusinha, uma maquiagem, coisas minhas e que
eram fruto do meu trabalho.
Para
mim o bordado nunca foi só um trabalho, era algo mais, era poder criar e
colocar em cada quadradinho mais que linha, mas também o meu amor, minha
dedicação, meu empenho.
No
mesmo período eu entrei em um curso de pintura de guardanapos que era oferecido
para a melhor idade aqui no meu município, mas com a baixa adesão consegui uma
vaguinha e fui descobrindo como era bom esse momento de descontração, pintar é
mágico! Relaxa o corpo e a mente, além do mais ver um desenho ganhando cor e
forma pelo seu capricho é demais.
Só
que as coisas foram se complicando, as responsabilidades aumentando: trabalho,
faculdade, novos interesses e eu acabei deixando o artesanato de lado, do meu
terceiro ano de faculdade, em 2013 até o começo de 2015 posso contar nos dedos
quantas vezes lidei com linha e agulha, pincel e tinta. Na verdade, eu fui
tragada por novas situações, por novos problemas e me esqueci de mim mesma e do
que me fazia bem.
Não
é segredo, neste começo de 2015 tive a pior perda que poderia e isso me abalou
de diferentes maneiras, mas principalmente o processo de luto foi extremamente
doloroso, eu perdi o chão e quando tudo parecia perdido, quando eu sentia que
nada do que eu fazia tinha sentido eu encontrei um alento no artesanato, não só
porque me fazia bem, mas porque me acalmava, porque me mostrava que eu ainda
conseguia fazer algo bem, algo bonito, algo que tenha um valor construtivo pra
mim.
Hoje
eu tenho expandido meus horizontes, além do ponto cruz e da pintura em panos de
prato, conheci o feltro que me encantou, pretendo tentar o patchaplique, quem
sabe mais pra frente comprar uma máquina e aprender a costurar, já consegui uns
caixotes pra fazer uma casinha pra minha cachorrinha, estou com mil ideias.
O
post de hoje foi mais do que falar de uma paixão, mas foi uma tentativa de
mostrar a vocês o quanto uma motivação pode ser pequena e como ela pode te
impulsionar para coisas melhores, a vida pode te tirar coisas, mas ela também
te dá, basta você olhar um pouquinho mais, com um pouquinho de esperança. A
vida tem ficado cada vez mais complicada, cada vez mais apertada, mais
angustiante... procurar o que te satisfaça, o que te impulsione é quase uma
obrigação para não enlouquecer. Espero que tenham gostado do post e mais ainda
das minhas coisitas!