Eu Perdi o Rumo
Gayle Forman
Arqueiro, 2018
Sinopse:
Freya perdeu a voz no meio das gravações de seu álbum de estreia. Harun planeja
fugir de casa para encontrar o garoto que ama. Nathaniel acaba de chegar a Nova
York com uma mochila, um plano elaborado em meio ao desespero e nada a perder.
Os
três se esbarram por acaso no Central Park e, ao longo de um único dia,
lentamente revelam trechos do passado que não conseguiram enfrentar sozinhos.
Juntos, eles começam a entender que a saída do lugar triste e escuro em que se
acham pode estar no gesto de ajudar o próximo a descobrir o próprio caminho.
Contado
a partir de três perspectivas diferentes, o romance inédito de Gayle Forman
aborda o poder da amizade e a audácia de ser fiel a si mesmo. Eu Perdi o Rumo
marca a volta de Gayle aos livros jovens, que a consagraram internacionalmente,
e traz a prosa elegante que seus fãs conhecem e amam.
Eu perdi minha voz.Eu perdi meu amor.Eu perdi minha casa.Eu perdi o rumo.
“Eu perdi o rumo” é um daqueles livros que eu sabia
que mexeriam comigo antes mesmo de abri-lo, também pudera, em 2018 talvez essa
tenha sido a frase que mais repeti! Acho que todos nós em algum momento
perdemos o rumo, seja pela questão profissional como é o caso de Freya, ou
afetivamente como Harun, ou emocionalmente como Nathaniel. Tos nós em mais de
um ponto e por mais de uma vez poderemos nos identificar com esses três personagens
tão próximos entre si e também de nós mesmos enquanto leitores.
“Os três podem ser perfeitos desconhecidos, com vidas diferentes, problemas diferentes, mas ali, naquele consultório, estão medindo a tristeza da mesma forma. Estão medindo em perdas.” p. 70
Quando os caminhos dessas três pessoas, perdidas em
si mesmas e em seus problemas e questionamentos talvez não tenha sido meramente
acaso, mas sim uma ajuda dos céus para que eles pudessem se ajudar. O caminho é
sempre mais leve quando se pode dividir o fardo, não é?
Gayle foi criando uma teia de emoções e ações que
com certeza transformaram seu livro em algo único e encantador, a beleza da
forma como ela trata esse ato de se perder e de buscar se reencontrar é incrível
e com certeza um bálsamo de esperança, apesar disso eu confesso que esperei
mais das páginas finais e fiquei com aquela cara de interrogação por ela ter
terminado a história num momento tão impactante, apesar que uma parte de mim
acredita que haverá um próximo livro trazendo as consequências do ato de se libertar
das coisas, fatos e pessoas que faziam com que os personagens estivessem tão
perdidos e mostrar a capacidade de cada um deles de reencontrar a si mesmos
nesse processo de metamorfose.
Trabalhando perdas, ganhos, amizades, sofrimentos e
decepções, Gayle mais uma vez entra no universo literário de forma à aproximar
cada vez mais leitores e personagens, os dramas vividos por Freya, Harun e
Nathaniel são relevantes, autênticos e atuais e a forma como ela equilibrou
tudo isso em sua narrativa dinâmica merece uma avaliação positiva ao extremo, a
capacidade dela de criar identificação e empatia é louvável e por muitas vezes
eu parei e inspirei fundo antes de continuar. Acho que é a mensagem mais linda
de toda a trama, ao menos para mim é “Não se permita desistir”, seu mundo é
feito de perdas e ganhos e saber equilibrar tudo isso numa balança imaginária é
necessário.
“É a esperança que faz doer. Harun sabe disso. Nathaniel sabe disso. Freya também sabe.” p. 59
A autora também toca na importância do outro para nós
mesmos, ninguém precisa remar sozinho para alcançar a praia, nós vivemos em um
mundo cada vez mais isolante, as pessoas vivem suas vidas, seus problemas e
suas alegrias de uma maneira muito sozinha e saber e ter alguém com quem
compartilhar a vida, seja um amigo, um parente ou um pseudo-conhecido é importante
para a criação de vínculos que devem se estreitar. Com um enredo atual,
marcante e conquistador Gayle mais uma vez me arrebatou e transformou seu mais
novo livro em um dos meus queridinhos!







