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sábado, 21 de fevereiro de 2015

Resenha Tempo de Mudanças



Tempo de Mudanças
- Lisa Jewell-
Novo conceito, 2014
Sinopse: Em um hospital em BuryStEdmunds, Daniel Blanchard está morrendo. A amiga Maggie May é sua companheira nesta jornada até o fim: senta-se ao seu lado todos os dias, segurando-lhe a mão e ouvindo histórias de sua vida, seus arrependimentos e seus segredos: os filhos que nunca conheceu e que, provavelmente, nunca conhecerá. Lydia, Dean e Robyn não conhecem o pai e também não se conhecem. Ainda... Todos eles estão passando por uma fase de mudanças e de dificuldades: Lydia carrega as cicatrizes de uma infância traumática e, embora seja rica e bem-sucedida, sua vida é solitária e confusa. Dean é um jovem sobrecarregado por uma responsabilidade imprevista, cuja vida está indo para lugar nenhum. E Robyn começou a faculdade de medicina, mas sente que alguma coisa não está certa. Três jovens com histórias muito diferentes, mas que se sentem igualmente perdidos e à procura de alguma coisa, como se faltasse um elo para dar sentido às suas vidas. E então, quando eles percebem que seus caminhos estão se cruzando, tudo começa a mudar...

“Cada criança representava uma fascinante história de encontros, sentimentos e consequências, e cada criança seguiria adiante e faria a própria história também” p. 348
Quando Maggie conheceu Daniel, tudo parecia se encaixar para um perfeito romance, entretanto a postura reservada dele colocou fim ao possível romance, mas o carinho dela por ele superou toda essa situação e hoje é ela que que cuida dele, que está muito debilitado em uma clinica de repouso.
Daniel, reservado e ao mesmo tempo com certo mistério à sua cerca confidenciou, em um de seu breves momentos de lucidez que em sua juventude doou seu esperma à um banco de coleta e hoje seus filhos estão pelo mundo, sem que ele tenha o mínimo de contato ou conhecimento por eles. Ao todo são quatro: duas meninas e dois meninos.
Como presente de despedida, Maggie decide ir em busca desses filhos, utilizando um banco de dados próprio para doadores e é ai que a história toma forma...
“─ [...] viu como fez essas crianças/ viu como deixou outras pessoas terem toda a responsabilidade?”
“─ Sim, mas também deu crianças a pessoas que não podiam tê-las.” p. 284
Lydia, Robyn e Dean nunca se viram, mas tem algo em comum: seus nascimentos foram por inseminação artificial, vindo de um doador anônimo, isto não é uma fato escondido deles, todos souberam de sua concepção em algum momento da vida, mas cada um teve seu motivo para não ir atrás de saber quem é este homem. Entretanto, a insegurança e ao mesmo tempo a vontade de conhecer outros elos de suas famílias falou mais alto.
Lydia é uma rica empresária do mundo das tintas que o que tem de rica tem de solitária, preferindo isolar-se do mundo e apagar lembranças. Robyn, quis seguir os passos de seu doador e também estudar medicina, como se fosse uma forma de perpetuar a linhagem, sendo a mais nova dos filhos desse doador, já Dean é o mais problemático, um viciado em drogas que vive a vida de forma desleixada. O último filho é um mistério que só com a leitura para descobrir...
Toda a história é bem morna no inicio, lenta mesmo, pois com os capítulos alternados entre Maggie e os filhos de Daniel a autora procura explorar mais a vida e as particularidades de cada um, mas isso acaba por tornar a trama desgastante em certo ponto.
Encontros, desencontros, medos, alegrias, tudo isso molda a trama que de forma débil não conseguiu arrebatar a resenhista que vós escreve. Explico o porque: quando vi o lançamento do livro fiquei doida de vontade de ler, o tema novo, pouco explorado e até mesmo polêmico causou um comichão, mas quando peguei o livro para ler me deu a impressão de tudo ali ser escrito sem uma emoção real, algo palpável como eu esperava.
A autora também não conseguiu me passar uma confiança como exploradora de um novo tema, a doação de esperma é ainda um tema polêmico, conversando com minhas amigas esses dias vocês precisavam de ver como o debate transcorreu de forma firme, pois cada uma acreditava se era certo ou errado e eu acreditava que a autora iria apontar essas duas vertentes, entretanto tudo ficou mais como uma enxurrada de palavras sem de fato ser consistente.
Outro ponto que muuuuuito me incomodou foi a frieza com que os sentimentos foram explorados, as relações débeis que foram criadas. Todos os personagens me deram a impressão de blocos de gelo, sem emoções, sem sentimentos sejam de contentamento ou tristeza, os irmãos principalmente me deram essa impressão de estarem emocionalmente distante de uma realidade que a autora quis criar para eles. E quando tinha uma emoção mais forte dava a sensação de ser fingida, pois os personagens não passavam a verdade, entendem?
Maggie foi uma personagem que me surpreendeu, seu desprendimento e ao mesmo tempo amor por Daniel e essa tentativa de tentar tornar seu fim menos solitário e mais alegre é louvável e ao mesmo tempo salva o livro de um declínio fatal.
No fim foi uma leitura regular, apenas isso. Muitos fatos me incomodaram na forma como a autora conduziu seus personagens e as situações, porém devo dizer que se você, assim como eu, se apaixonou pelo livro à primeira vista deveria arriscar, pois as leituras são diferentes e as percepções também!
 Gostaria de agora ouvir a opinião de vocês. Leriam? Leram? Lerão?

Observação: esta resenha foi inicialmente publicada no blog In the Sky, em que trabalho como colunista

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Resenha Simplesmente Acontece



Simplesmente Acontece
Cecelia Ahern
Novo Conceito, 2014
Sinopse: O que acontece quando duas pessoas que foram feitas uma para outra simplesmente não conseguem ficar juntas? Todo mundo acha que Rosie e Alex nasceram para ser um casal. Todo mundo menos eles mesmos. Grandes amigos desde criança, eles se separaram na adolescência, quando Alex se mudou com sua família para os Estados Unidos. Os dois não conseguiram mais se encontrar, mas, através dos anos, a amizade foi mantida através de emails e cartas. Mesmo sofrendo com a distância, os dois aprenderam a viver um sem o outro. Só que o destino gosta de se divertir, e já mostrou que a história deles não termina assim, de maneira tão simples.

Primeiro de tudo, você acredita em amizade entre homem e mulher?
Rosie e Alex são os melhores amigos no mundo todo, desde os cinco anos são como unha e carne, viveram as mais loucas situações juntos e isso faz com o leitor se divirta e também pense um pouco sobre a sua amizade com alguém especial, mas o destino resolveu intervir e colocar a prova essa amizade.
A distância apaga o que é significativo? Qual é a linha que divide dois sentimentos tão próximos como amizade e amor?
“Não quero ser uma dessas pessoas que se esquecem com facilidade, que era tão importante naquela época, tão especial, tão influente e tão querida e, mesmo assim, anos depois se torna apenas mais um rostinho bago e uma lembrança distante. Quero que sejamos amigos para sempre, Alex.”p. 25
Vivendo em continentes opostos, cada um com seus altos e baixos. Rosie teve a experiência da gravidez precoce e mesmo com o apoio de seus pais sua filha, Katie, lhe tolheu alguns sonhos, já Alex vive os percalços da vida de estudante de medicina em Boston.
“Quando eu tinha 18 anos, perdi a chance de ir para Boston e achei que a minha vida não fazia mais sentido. Enquanto todos os meus amigos estavam se esbaldando em festas e estudando, eu estava trocando fraldas sujas” p. 384
Em pouco mais de 40 anos muita coisa mudou na vida desse casal, outros relacionamentos, outras amizades, muitas brigas, muitas situações engraçadas, mas se tem algo que não mudou e fica claro nas páginas é o amor que eles sentiam um pelo outro, era tão evidente que dava vontade de dar uma paulada na cabeça dos dois pra ver se acordavam pra vida.
Entretanto, parecia que o destino conspirava contra, quando eu pensava “É agora” algo saia do eixo central e a trama tomava outro rumo e lá vou eu querer me descabelar, arregalar o olho e dizer “Não é possível!” mas depois me peguei pensando: a vida é regada desses imprevistos, dessas pequenas escolhas que mudam nossos destinos. Cecelia mais que ninguém sabe mostrar isso ao leitor de forma brilhante e ao mesmo tempo sutil.
Eu achei a trama muito longa, primeiro eu queria logo um final feliz e conforme o tempo cronológico da história ia passando e esse tão aguardado final feliz não chegava eu fui ficando ansiosa e temerosa, afinal o que aconteceria com Alex e Rosie? Mas também achei que foi mais uma aposta brilhante da autora criar seu enredo em tão extenso período, eu vi Rosie amadurecer, lutar e mesmo com todas as dificuldades seguir em frente e amadurecer, reconheci seus dramas, torci por suas conquistas e fiquei triste com seus percalços, me identifiquei com seus anseios.
“Parece que, de tempos em tempos estou recolhendo os pedaços da minha vida e recomeçando do zero mais uma vez. Não importa o que eu faça ou o quanto me esforce, não consigo alcançar a felicidade, o sucesso e a segurança que tantas pessoas têm. E não estou falando de ficar milionária e viver feliz para sempre. estou me referindo a alcançar um ponto na minha vida no qual eu possa parar com o que estou fazendo, dar uma olhada ao meu redor, suspirar aliviada e pensar: Agora eu estou onde queria estar.” p. 272
Conheci Rosie e Alex, conheci suas vidas e de certa forma participei também de suas histórias, já que cartas e bilhetes são objetos tão pessoais que me deram a impressão de estar partilhando um segredo com os personagens.
Lições significativas são aprendidas ao longo da história como esta que quero ressaltar:
“A nossa vida é feita de tempo. Nossos dias são mensurados pelas horas, nossos salários é mensurado por essas horas, o nosso conhecimento é mensurado pelos anos. Agarramos uns minutinhos do nosso dia sempre ocupado pra fazer uma pausa pro café. Voltamos correndo pra nossa mesa de trabalho, olhamos pro relógio, vivemos em função dos compromissos. Mesmo assim, quando esse tempo enfim acaba, bem lá no fundo você se pergunta se esses segundos, minutos, horas, dias, semana, meses, anos e décadas foram gastos da melhor maneira possível” p. 137
Quando penso que já li de tudo Cecelia surpreende. Você já se imaginou lendo uma história contada por bilhetes, cartas, emails e mensagens? Pois esta é mais uma aposta ousada da autora, ta bem sou obrigada a assumir: fiquei com um pé atrás sim com esse jeito inovador de escrever, mas me vi lendo uma trama madura, consistência de enredo e essa forma inusitada de contar uma história traz dinamismo e realismo a trama e a autora ainda conseguiu me por pra pensar na vida e nas escolhas, essa mulher diva!
Simplesmente acontece foi uma surpresa e já é um dos livros favoritos do ano, em momento algum a trama ficou insustentável, chata e cansativa. Sempre com uma virada, sempre com um elemento surpresa que deu gás a toda a história e é claro que eu adoraria mais algumas páginas de trama, pois Alex e Rosie deixaram uma marca tão legal! Se eu recomendo? Claroooooooooooo, amo mais que chocolate as histórias da Cecelia!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Resenha Como eu era antes de você







Como eu era antes de você
Me Before You
Jojo Moyles
Intrínseca, 2013


Sinopse: Como Eu Era Antes de Você - Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Além disso, trabalha como garçonete num café, um emprego que ela adora e que, apesar de não pagar muito, ajuda nas despesas. E namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe.
Quando o café fecha as portas, Lou se vê obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, a ex-garçonete consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto e planeja dar um fim ao seu sofrimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro.

“Eu dispunha de cento e dezessete dias para convencer Will Traynor de que ele tinha motivos para viver.”
Pág. 125
Dizer que chorei seria banal, não? Mas sim, chorei de soluçar, de escorrer coriza, de faltar o ar, chorar porque senti a dor, porque senti a angustia e mais ainda compreendi Will e suas vontades, por mais difícil que seja.
“Claro que ele se sente infeliz. Ele está preso a uma maldita cadeira de rodas. E você certamente está sendo inútil. Apenas fale com ele. conheça-o. qual a pior coisa que pode acontecer?” p. 40
Lou é uma jovem que vive uma vida banal, acostumada com as pequenas satisfações da vida, sempre precisando de dinheiro, com um emprego simples, mas legal, sua família não é de longe a mais estabilizada, mas é que ela ama. Não é pessimista e tem um jeito falador de estimular aos que estão à sua volta.
Já Will teve tudo do bom e do melhor, mas um grave acidente causado pela imprudência de um motoqueiro o tornou tretaplégico, tornando-o um homem amargurado, tristonho e acima de tudo infeliz e não é para menos.
“Precisei prestar muita atenção em Will Traynor naquelas primeiras semanas. Reparei que ele parecia determinado a não lembrar em nada com o homem que tinha sido; deixara seu cabelo castanho-claro crescer em uma bagunça disforme e a barba por fazer se espalhava sobre o rosto. Seus olhos cinzentos tinham marcas de cansaço, ou do desconforto que ele sentia quase o tempo todo (Nathan me disse que ele raramente se sentia bem). Eles levavam o vazio de alguém que esta sempre alguns passos afastado do mundo a seu redor. Às vezes, eu me perguntava se aquilo não era um mecanismo de defesa de Will, já que a única maneira que encontrou de lidar com a sua vida foi fingir que não era com ele que as coisas estavam acontecendo.” P. 45
Senti um pouco a tristeza de Will, não deve ser fácil encarar a vida, reaprender e se limitar. Ter um personagem que esta em condição limitada é um desafio tanto para a autora, imaginem em como foi criá-lo? Mais ainda, quanta pesquisa esse processo envolveu? Tudo foi tão minucioso que senti como se eu tivesse conhecido Will em carne e osso.
E outro ponto que a autora brilhou: trabalhar a vulnerabilidade. Vamos admitir, Will foge dos padrões de mocinhos pelos quais suspiramos. Ele é um personagem limitado inicialmente tanto pela sua deficiência como pela sua descrença na vida, nas pessoas, no amor. Achei interessante essa inversão, pois quem é o lado mais frágil em um romance em geral é a mulher.
Uma série de acontecimentos colocam Will e Lou cara a cara, para conviverem por seis meses. Ela, com o objetivo de fazê-lo viver. Ele, só quer que o tempo passe para que enfim possa realizar o seu desejo.
Achei o começo meio morno e já estava me questionando de onde estava aquela emoção que todos sentiam, mas logo eu encontrei, como dizem quem procura acha, não?
Me dá vontade de ir ao encontro da autora, abraçá-la e depois brigar com ela por escrever uma história tão primorosa, que por várias vezes me fez pensar e também me destruiu de diversas maneiras, entendam: não é uma história de amor comum. É uma daquelas histórias que te dão um banho de água gelada, mostrando a realidade crua e nua em que milagres muitas vezes não acontecem.
Ao mesmo tempo em que senti certa raiva de Will eu o admirei além da conta, ser tão decidido, ser tão ético consigo mesmo, tão corajoso, ao mesmo tempo tão forte e tão humano na mesma proporção, tão real! E creio que no lugar de Lou eu também me apaixonaria e no lugar de Will eu gostaria de ter a mesma coragem.
Como eu era antes de você é um título que nos dá duas dimensões: tanto para Will quanto para Lou, ambos tiveram suas vidas modificadas por este encontro, não sendo mais uma história de amor que lemos por ai, mas uma história real que mostra que o amor renasce nas atitudes, nos pequenos gestos, no anseio em fazer do outro alguém melhor, mais feliz.
Quem leu se identificará com a minha sensação de dor e devassidão perante uma história de amor, daquelas que você torce até o final, em que cada página é uma vivência. Simplesmente arrebatador! Demorei horrores para escrever essa resenha, primeiro porque estava chocada demais com a história, segundo nada do que eu escrevia estava bom, nada era condizente e real o bastante, tudo parecia muito alheio da minha vontade de organizar as palavras, creio que nada nessa história seja previsível, nem mesmo que palavras usar para defini-lo, peço apenas que leiam, pois garanto não se arrependerão!
“A vida de Will Traynor era tão diferente da minha. Quem era eu para poder dizer como ele deveria viver?” p. 148