Tempo de Mudanças
- Lisa Jewell-
Novo conceito, 2014
Sinopse: Em um hospital
em BuryStEdmunds, Daniel Blanchard está morrendo. A amiga Maggie May é sua
companheira nesta jornada até o fim: senta-se ao seu lado todos os dias,
segurando-lhe a mão e ouvindo histórias de sua vida, seus arrependimentos e
seus segredos: os filhos que nunca conheceu e que, provavelmente, nunca
conhecerá. Lydia, Dean e Robyn não conhecem o pai e também não se conhecem.
Ainda... Todos eles estão passando por uma fase de mudanças e de dificuldades:
Lydia carrega as cicatrizes de uma infância traumática e, embora seja rica e
bem-sucedida, sua vida é solitária e confusa. Dean é um jovem sobrecarregado
por uma responsabilidade imprevista, cuja vida está indo para lugar nenhum. E
Robyn começou a faculdade de medicina, mas sente que alguma coisa não está
certa. Três jovens com histórias muito diferentes, mas que se sentem igualmente
perdidos e à procura de alguma coisa, como se faltasse um elo para dar sentido
às suas vidas. E então, quando eles percebem que seus caminhos estão se
cruzando, tudo começa a mudar...
“Cada
criança representava uma fascinante história de encontros, sentimentos e
consequências, e cada criança seguiria adiante e faria a própria história
também” p. 348
Quando
Maggie conheceu Daniel, tudo parecia se encaixar para um perfeito romance,
entretanto a postura reservada dele colocou fim ao possível romance, mas o
carinho dela por ele superou toda essa situação e hoje é ela que que cuida
dele, que está muito debilitado em uma clinica de repouso.
Daniel,
reservado e ao mesmo tempo com certo mistério à sua cerca confidenciou, em um
de seu breves momentos de lucidez que em sua juventude doou seu esperma à um
banco de coleta e hoje seus filhos estão pelo mundo, sem que ele tenha o mínimo
de contato ou conhecimento por eles. Ao todo são quatro: duas meninas e dois
meninos.
Como presente de despedida, Maggie
decide ir em busca desses filhos, utilizando um banco de dados próprio para
doadores e é ai que a história toma forma...
“─
[...] viu como fez essas crianças/ viu como deixou outras pessoas terem toda a
responsabilidade?”
“─
Sim, mas também deu crianças a pessoas que não podiam tê-las.” p. 284
Lydia,
Robyn e Dean nunca se viram, mas tem algo em comum: seus nascimentos foram por
inseminação artificial, vindo de um doador anônimo, isto não é uma fato
escondido deles, todos souberam de sua concepção em algum momento da vida, mas
cada um teve seu motivo para não ir atrás de saber quem é este homem.
Entretanto, a insegurança e ao mesmo tempo a vontade de conhecer outros elos de
suas famílias falou mais alto.
Lydia
é uma rica empresária do mundo das tintas que o que tem de rica tem de
solitária, preferindo isolar-se do mundo e apagar lembranças. Robyn, quis
seguir os passos de seu doador e também estudar medicina, como se fosse uma
forma de perpetuar a linhagem, sendo a mais nova dos filhos desse doador, já
Dean é o mais problemático, um viciado em drogas que vive a vida de forma
desleixada. O último filho é um mistério que só com a leitura para descobrir...
Toda
a história é bem morna no inicio, lenta mesmo, pois com os capítulos alternados
entre Maggie e os filhos de Daniel a autora procura explorar mais a vida e as
particularidades de cada um, mas isso acaba por tornar a trama desgastante em
certo ponto.
Encontros,
desencontros, medos, alegrias, tudo isso molda a trama que de forma débil não
conseguiu arrebatar a resenhista que vós escreve. Explico o porque: quando vi o
lançamento do livro fiquei doida de vontade de ler, o tema novo, pouco
explorado e até mesmo polêmico causou um comichão, mas quando peguei o livro
para ler me deu a impressão de tudo ali ser escrito sem uma emoção real, algo
palpável como eu esperava.
A
autora também não conseguiu me passar uma confiança como exploradora de um novo
tema, a doação de esperma é ainda um tema polêmico, conversando com minhas
amigas esses dias vocês precisavam de ver como o debate transcorreu de forma
firme, pois cada uma acreditava se era certo ou errado e eu acreditava que a
autora iria apontar essas duas vertentes, entretanto tudo ficou mais como uma
enxurrada de palavras sem de fato ser consistente.
Outro
ponto que muuuuuito me incomodou foi a frieza com que os sentimentos foram
explorados, as relações débeis que foram criadas. Todos os personagens me deram
a impressão de blocos de gelo, sem emoções, sem sentimentos sejam de contentamento
ou tristeza, os irmãos principalmente me deram essa impressão de estarem
emocionalmente distante de uma realidade que a autora quis criar para eles. E
quando tinha uma emoção mais forte dava a sensação de ser fingida, pois os
personagens não passavam a verdade, entendem?
Maggie
foi uma personagem que me surpreendeu, seu desprendimento e ao mesmo tempo amor
por Daniel e essa tentativa de tentar tornar seu fim menos solitário e mais
alegre é louvável e ao mesmo tempo salva o livro de um declínio fatal.
No
fim foi uma leitura regular, apenas isso. Muitos fatos me incomodaram na forma
como a autora conduziu seus personagens e as situações, porém devo dizer que se
você, assim como eu, se apaixonou pelo livro à primeira vista deveria arriscar,
pois as leituras são diferentes e as percepções também!
Gostaria de agora ouvir a opinião de vocês.
Leriam? Leram? Lerão?
Observação: esta
resenha foi inicialmente publicada no blog In the Sky, em que trabalho como colunista