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terça-feira, 16 de julho de 2024

Resenha "É assim que acaba" e "É assim que começa"

          Vocês não sabem o prazer que é estar de volta!

Ah, para! Vai dizer que você nunca quis usar essa icônica frase em algum momento? Me deixa brilhar (risos).

Primeiramente, como é bom estar por aqui novamente! Uau! Quantos anos!!! Muita coisa mudou... em mim, no mundo dos livros e dos blogs, aliás, agora é a vez dos instabooks, né? Mas eu adoro ser vintage!

Em segundo lugar, eu nem sei se esse é um real retorno, um surto individual ou apenas uma nostalgia... eu nem mesmo sei se alguém vai ler isso e quer saber? Tá tudo bem, eu tive vontade, animo e disposição pra sentar e escrever e quem diria que quem me faria retornar a esse mundo seria ela... Colleen Hoover, sigo chocada até agora. Vamos contextualizar, eu nunca fui hater, mas também nunca fui fã de carteirinha dela e a duplinha “É assim que acaba” e “É assim que começa” nunca havia me chamado a atenção, nem mesmo no frisson do seus respectivos lançamentos, nem mesmo com a divulgação do filme adaptado do primeiro livro, porém é aquela velha história “mente vazia, oficina da Amazon”, um belo dia graças a uma bela promo... COMPREI! Vem ver as minhas considerações a respeito.



“Quinze segundos. Esse é o tempo necessário para mudar completamente tudo o que você conhece sobre uma pessoa. Quinze segundos.”

Já vou deixar bem claro Lily Bloom é a personagem mais controversa  que eu já li. Calma, antes de vocês me xingarem eu quero dizer que esse foi o meu pensamento quando eu terminei o livro e digamos que eu demorei muito para ler, entre idas e vindas, abandonos e retornos foi mais de um mês, mas mesmo terminando o primeiro livro e lendo o segundo em apenas um dia eu não consegui me desligar da Lily e comecei a vê-la com outro olhar e talvez isso tenha me inspirado a escrever.

Lily nasceu e foi criada em uma pequena comunidade dos Estados Unidos e residindo em Boston ela enfrenta as demandas da vida adulta para cumprir o sonho de abrir sua floricultura e ao mesmo tempo em que se apaixona pelo belo, rico e charmoso cirurgião Ryle. Entender quem Lily foi na infância e adolescência nos ajuda a entender quem é ela na vida adulta e o livro traz esse passado por meio das cartas/ diários que Lily escreve e por meio dessas cartas encontramos Atlas Corrigan, o primeiro amor de Lily.

Voltando para a temática central do livro, o destaque está na construção da relação Lily e Ryle. Colleen é primorosa ao levar o leitor a se apaixonar por Ryle por meio dos olhos de Lily, aquele encantamento entre a jovem inocente e o bonitão inamorável que faria sucesso em qualquer comédia romântica, mas diferente dos contos de fadas nem tudo nesse relacionamento é perfeito e o mesmo leitor que se apaixona, sente raiva por Ryle na mesma proporção.

Não é spoiler que o livro trata sobre a violência doméstica e confesso que talvez esse tenha sido meu maior entrave com a Lily, eu não culpo a vitima em nenhuma hipótese e sofri com ela por cada situação, mas eu não consegui não ter vontade de mandar ela reagir a cada capitulo! Acho que é aquela coisa de quem tá de fora julga, mas só quem passa sabe.

No final do livro e depois de muito pensar, eu consegui compreender suas atitudes, mas nem sempre apoiá-la, vale lembrar que sou apenas a leitora, sem lugar de fala na situação dramatizada, mas tão real em nossa sociedade quanto a de Lily.

Eu fiquei muito pensativa sobre o tema. O que leva uma pessoa a continuar em um relacionamento abusivo. Questões financeiras? Falta de rede de apoio? Medo? Amor? São várias perguntas que permearam a minha cabeça e que com certeza também vão passar pela dos leitores.

Outro ponto chave pra mim é a construção e caracterização do Ryle, muitas vezes estereotipamos a as pessoas por conta de suas características, classes ou profissões e Colleen justamente derruba esse castelo de cartas  ao provar que todos podem ter um lado ruim, mesmo com uma ótima aparência ou condição social. E não, eu não passo pano para ele, inclusive ranço eterno!

Em “É assim que começa” vemos o tocante reerguer de Lily, mas ao passo em que ela se reergue também acompanhamos as consequências desse movimento nela própria, em Atlas (que está cada vez mais presente no próprio presente da Lily e no futuro) e Ryle (e eu continuo achando que ele merece um lugarzinho especial #).

Conhecer um pouco mais de Atlas também foi importante, uma vez que os capítulos são intercalados podemos conhecer mais de seus próprios problemas e seu amor por Lily, uma vez que no primeiro livro eu vejo sua aparição mais como coadjuvante do que protagonista exatamente pela construção do primeiro enredo. Atlas era o cara que tinha tudo para dar errado, mas nadou contra a maré e se tornou cada vez mais fiel aos seus pensamentos e ações, tornando-se um cara acima da média. (confesso que achei ele até bonzinho demais, torci pra ele mostrar pro Ryle com quantos paus se faz uma canoa) e falando no diabo, ops... personagem.

Não, eu não morri de amores por Ryle no primeiro livro e com certeza não morri de amores por ele na sequência, acho que ele ficaria lindo de laranja no melhor estilo “the Orange is the new black”, eu não acredito na sua mudança e apesar de entender o desenrolar da história e a construção feita por Colleen, não consigo aceita-la de forma passiva.

Eu confesso que sempre fiquei um pouco confusa na questão dos títulos dos livros e a ordem de leitura, tipo “como é assim que acaba é o primeiro?”, mas depois que li, compreendi e consigo até fazer uma analogia com esse titulo... Lily tinha duas formas de acabar com a história a qual estava presa, cada qual com sua consequência e a sua escolha realmente acaba com a situação de uma forma. E acredite, ela teve sorte de poder terminar a história como escolheu, por isso, não acredito em segundas chances com esse assunto, uma vez basta. Em “É assim que começa” ela tem a oportunidade de recomeço que muitas vitimas não tem.

Talvez você me ache radical, mas para mim “uma vez agressor, sempre agressor” e talvez esse seja o meu problema com o enredo como um todo e que me deixou de cabeça tão quente, pra mim faltou a penalização do ato da agressão, confesso que sou leiga em como esse assunto é tratado nos EUA, mas sim, eu senti a falta da criminalização do ato, perdoar só não basta.

Trazendo dados do nosso país, para finalizar, a cada 24 horas oito mulheres são vitimas de violência doméstica, 68% da população feminina têm uma amiga, familiar ou conhecida que já sofreu violência doméstica e o índice de violência só sobe consideravelmente ano a ano. No país temos a lei de proteção “Maria da Penha” e casos de violência podem ser denunciados ligando gratuitamente para o número 180 (o serviço funciona sete dias por semana, 24 horas com denuncias anônimas) ou em Delegacias de policias ou ponto de atendimento da Delegacia da mulher.

 

Fontes de dados:

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2024-03/cada-24-horas-ao-menos-oito-mulheres-s%C3%A3o-vitimas-de-violencia

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2024/02/28/datasenado-divulga-pesquisa-de-violencia-contra-a-mulher-nos-estados-e-no-df

 

É assim que acaba tem lançamento cinematográfico para o dia 08 de agosto de 2024, vou deixar o trailer abaixo